A Nossa História

Da sua história sabe-se ter sido João Arroyo o fundador. A partir de 29 de Outubro de 1880, iniciou os ensaios com 60 coralistas. Estreou-se a 7 de Dezembro do mesmo ano no Teatro Académico Príncipe Real, em Coimbra, por ocasião das comemorações do tricentenário da morte de Camões, com o nome Sociedade Choral do Orpheon Académico. O espírito republicano que presidiu às referidas comemorações (a que aderiram nomes como Teófilo Braga e Antero de Quental) foi imbuído de todo um culto que ofereceu ao recém-criado Orfeon a oportunidade de se projectar. Preocupado em trazer a público autores contemporâneos, João Arroyo, com uma visão inovadora, mostrou pela primeira vez em Portugal a grandiosa música de Wagner.

Mais tarde o Orfeon Académico de Coimbra (OAC) ressurgiria, animado por Luís Stockler. Foi depois com António Joyce que se cantou “Ámen” de Berlioz pela primeira vez, no Teatro Aveirense, sendo de destacar também a continuidade dada aos compositores românticos (Grieg, Brahms,…). Em 1911, o OAC actuou no Trocadero, em Paris, naquela que foi a sua primeira digressão ao estrangeiro.

O Padre Elias de Aguiar foi o regente seguinte do OAC. Nesta altura o Orfeon passou algumas dificuldades no recrutamento de vozes, devido à participação portuguesa na 1ª Guerra Mundial, que ocupou grande parte da juventude de então. Contudo estava lançado o Orfeon Académico de Coimbra para um futuro auspicioso.

Após Elias de Aguiar, seguiram-se as épocas de Raposo Marques, Joel Canhão, Cândido Lima e Carlos Brito, que o elevaram na vertente de embaixada cultural.

As características de uma população universitária em constante mutação reflectiram-se no organismo, após o 25 de Abril de 1974, com modificações internas, incluindo a admissão de elementos femininos. Artur Carneiro, Virgílio Caseiro, Edgar Saramago, Artur Pinho e Paulo Bernardino, foram os maestros subsequentes que incrementaram a base artística do organismo, já como legítimo representante da Academia, da Universidade, da cidade e do país. Em 2008, Artur Pinho volta a assumir a regência do Orfeon.

A epopeia das grandes viagens, bordada com a academia, conduziu o Orfeon por todo o mundo. Na Europa apresentou-se em Itália, Alemanha, Holanda, França, Suiça, Hungria, citando alguns exemplos; mas esteve também presente no continente americano, actuando no Canadá, Estados Unidos e Brasil; em África, em países tão diversos como África do Sul, Angola e Moçambique; e na Ásia, do qual é exemplo o Japão. No território nacional, já cantou um pouco por todo o continente e ilhas. Representou Portugal ao mais alto nível no festival Europália 91, na Expo’98, na Unesco, e foi o primeiro coro Português a cantar na Basílica de S. Pedro, no Vaticano.

O OAC dinamizou ainda vários grupos complementares, entre eles a orquestra ligeira do Orfeon, o grupo de jazz do OAC, um grupo de musica popular portuguesa e o Grupo Complementar de Fados de Coimbra por onde passaram vários grandes nomes da canção de Coimbra, como Luís Góis, José Afonso, Fernando Machado Soares, Sutil Roque e Fernando Rolim, citando apenas alguns. Destes grupos complementares, apenas o Grupo de Fados mantém actividade atualmente.

Constituído atualmente por cerca de 30 coralistas provenientes de todas as faculdades da Universidade de Coimbra e institutos superiores, e em permanente empenho para manter e continuar a construir esta longa e gloriosa história, o Orfeon Académico de Coimbra é o mais antigo coro português e um dos mais antigos da Europa.